quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Latino-americanos e os embustes da pseudointelectualidade




Conversando com amiga balzaca esta semana, ouvi da mesma que pretendia fazer uma "viagem de férias para espairecer". Quando perguntei qual seria o destino, qual não foi a minha surpresa ao descobrir que a moça, com idade para ser minha filha, viajaria até "Macchu Picchu", um amontado de pedras imundo localizado nos cafundós do Peru (com trocadilho, por favor).
Desde muito antes de eu chegar à idade provecta recebo fotos de Macchu Picchu, e geralmente todas as fotos são classificadas, independemente do autor, com a mesma expressão: "Tudo a mesma merda".
Não se trata nem mesmo desta imobilidade ser um aspecto positivo do conservadorismo. Não é a mesma coisa que, por exemplo, que o Corcovado ou o Pão de Açúcar, duas atrações turísticas que, malgrado uma mudança ou outra nos serviços oferecidos, continuam encantando os turistas do mundo inteiro da mesma forma - e há décadas. É preciso fazer a distinção entre o conservadorismo saudável destes logradouros cariocas e a total imobilidade daquela cidade para onde se dirigem malucos de várias partes da dita América Latina - um continente fictício inventado pelo anti-americanismo típico da esquerda.
O problema, no entanto, não é Macchu Picchu ou seja lá o que for aquilo. O problema é que existe no brasileiro médio uma tendência a gostar de exaltar o subdesenvolvimento destes países de merda que sequer aparecem sozinhos no War (devemos lembrar que Peru está acavalado com Chile e Bolívia com o nome de Chile e Colômbia e Venezuela estão juntas no mesmo espaço).
A atitude tomada pelo inteligentíssimo jogo da Grow não é adotada pelos brasileiros esquerdistas de classe média: estes formam a estranha trupe de pessoas que dão dinheiro para grupos de música inca de Copacabana. Aqueles músicos de merda, que torram os culhões de quem tenta atividades mais saudáveis, como beber chope e caçar putas.
Vejo nessas manias de usar bolsas escrotas e apreciar lhamas uma certa indolência, uma vocação para gostar de lixo, miséria, de classificar todo pé-inchado como "oprimido" e "excluído". E deve-se entender que países onde Higuita, Morales, Fujimori, Dudamel e Hugo Chávez são ídolos não são exatamente modelos a serem seguidos.
Não podemos nos esquecer exatamente do comportamento da midia e dos nossos amiguinhos sopradores de flauta de Pan brasileiros no episódio da eleição Fujimori x Mario Vargas Llosa. Ali, havia o confronto do “socialista democrata” contra o “liberal de direita”, e a perseguição ao genial escritor Vargas Llosa foi impiedosa. Revistas pseudointelectuais e colunistas nem tanto, sustentados pelo establishment dos sindicatos, demonizaram Vargas Llosa, um pensador real, e exaltaram o bárbaro Fujimori. Deu no que todos já sabem: Fujimori eleito, golpe de estado, suspensão de direitos.
Anos antes, tinha gente pichando “Alan García” (outra mula), “Daniel Ortega” (faliu a Nicarágua), e “Celacanto provoca maremoto” (não sei o que quer dizer, mas é bem mais inteligente que as duas menções anteriores).
Só posso entender o seguinte: grande parte dos brasileiros adora índio, subdesenvolvimento e quebra-mola (as três coisas estão interligadas). Notem que nosso único “inimigo” na dita “América Latina” é justamente a Argentina. Choramos cântaros pelo Chile e Allende e há uns 25 anos que a economia chilena dá banho na nossa. Defendemos, vejam só, até o Paraguai (segundo filósofos renomados que conheço, “o Paraguai é a Bahia do Rio Grande do Sul”). Mas, Argentina? De jeito nenhum.
Não importa que este velho escriba, em idades mais convenientes, tenha passado temporadas magistrais em Buenos Aires, passeando pela Avenida Corrientes, tomando vinhos Malbecs e Shirazes monumentais na Recoleta, fodendo putas nos arredores de Palermo Hollywood. Nada disto importa. Não importam as viagens a Mendoza, os passeios em vinícolas, o ar puro, as árvores, os churrascos intermináveis e maravilhosos.
Na visão desta gente, seria mais interessante que eu comesse alpiste no Trem da Morte, negociasse cocaína e cu com bolivianas bigodudas, vestisse ponchos ridículos enquanto dançasse ritmos estranhos. “Isto é história”, diriam eles.
Falamos aqui da mania de apreciar os povos aborígines da América Latina e olha que nem chegamos a Cuba – um capítulo à parte. Mas, convenhamos: se é certo que “Ritiba” quer dizer “Do mundo”, “Ba” deve ser algo parecido.

Um comentário:

  1. olha, se alguma dia batêssemos um papo numa mesa de bar, veríamos que nossas opiniões são quase opostas. mas eu não seria leviano a ponto de não reconhecer que o artigo está genial! abraço

    Renê
    Cuiabá-MT

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